Para abrir a série de apresentações prevista para o mês de novembro, o filme “A Casa de Bambu” é exibido na segunda-feira (4) no auditório da Rádio Cultura FM, na Praça Pádua Salles, no Centro de Amparo. A atração das telonas faz parte do projeto Luz & Sombras, criado na estância hidromineral do Circuito das Águas pelo cinéfilo Nelson Machado Filho. A sessão acontece às 19h30 e tem entrada gratuita.
O longa-metragem, considerado uma joia rara do cinema, foi produzido pela Fox Filmes em 1955. A direção é de Samuel Fuller. A trama une drama, romance, ação e suspense. O elenco reúne Robert Ryan, Robert Stack, Shirley Yamaguchi, Cameron Mitchell, Brad Dexter, Sessue Hayakawa e De Forest Kelley.
Sinopse e crítica de Nelson Machado Filho
Em 1954, um trem de armamentos militares é assaltado por uma quadrilha de gangsteres norte-americanos que age no Japão. A morte de um sargento na ação criminosa coloca a polícia do Exército no caso. Então, um militar se disfarça de amigo de um bandido ferido pelos cúmplices e consegue se infiltrar no bando de assaltantes com a ajuda de uma mulher japonesa.
“Casa de Bambu” é um filme dirigido por Samuel Fuller. Trata-se de um remake de “Rua Sem Nome” (1948), dos mesmos roteirista (Harry Kleiner) e fotógrafo (Joseph MacDonald), mas desta vez realizado em Cinemascope. As locações foram em Tóquio e Yokohama, no Japão.
Samuel Fuller era um cineasta imprevisível, admirado por Jean-Luc Godard e “A Casa de Bambu” foi uma das mais brilhantes utilizações do Cinemascope já exploradas no mundo da sétima arte. O surgimento desta nova técnica em formato de projeção revolucionou esteticamente todo o cinema. Não houve nada mais imperativo do que levar as câmeras para a “Terra do Sol Nascente”, o Japão.
Entre os membros da equipe técnica destaca-se a fotografia de Joseph MacDonald (1906-1968), fotógrafo de alto gabarito, grande aliado de qualquer diretor. O nível de interpretações é de nível máximo, onde Robert Ryan lidera e domina graças a sua vigorosa presença.
Ele ofusca até mesmo o desempenho de seu xará, Robert Stack, o herói da trama. Ryan era um dos atores prediletos de Samuel Fuller (o outro era Lee Marvin), entretanto, foi uma única vez que esse brilhante ator atuou para o cineasta. Entre os coadjuvantes, o destaque fica para o ótimo Cameron Mitchell, cuja figura tensa lhe proporciona uma de suas melhores atuações.
Samuel Fuller tinha muita admiração pela cultura japonesa. Muitas cenas do filme comprovam que ele estava claramente apaixonado pelo Japão. Seu fascínio pela cultura, a arte, o ritual diário, às excursões pelas ruas de Tóquio e os detalhes de fundo com lindas cores, locais e, também, o fato de ele lidar com o romance “interracial” entre Robert Stack e Shirley Yamaguchi tem a sutileza certa.
Shirley Yamaguchi nasceu de pais japoneses na Manchúria em 1920. Ela usou o nome chinês Li Xianglan (Ri Koran em japonês) e fez filmes pró-japoneses em áreas ocupadas pelo país na China. Ela também era uma cantora popular e alguns de seus sucessos, incluindo “Fragrância da Noite” (‘Ye Lai Xiang’), continuam populares até hoje. Foi considerada a Judy Garland do Japão.
É incrível a maneira como Fuller usa a câmera, não apenas pelo fato de ele ter fotos brilhantes, mas sempre saber como e quando usá-las. O filme, que tem uma fotografia colorida realmente bonita, começa com a curiosa beleza de uma paisagem coberta por neve com o Monte Fujiyama (o conhecido Monte Fuji) ao fundo com grande efeito cênico. Com muita habilidade técnica sustenta uma história cheia de romance, ação e suspense.
Serviço
Evento – Projeto Luz e Sombras
Local – Auditório da Rádio Cultura FM
Endereço – Praça Pádua Salles, 160, Centro, Amparo-SP
Dia – 4 de novembro, segunda-feira
Horário – 19h30
Entrada – Gratuita
Filme – “A Casa de Bambu”
Elenco – Robert Ryan, Robert Stack, Shirley Yamaguchi, Cameron Mitchell, Brad Dexter, Sessue Hayakawa e De Forest Kelley
Ano da produção – 1955 (Fox Filmes)
Gênero – Drama, romance, ação e suspense
Direção – Samuel Fuller
Roteiro – Harry Kleiner e Samuel Fuller
Música – Leigh Harline
Fotografia – Joseph MacDonald (em cores)

