Luz e Sombras exibe o filme ‘Imitação da Vida’ em Amparo

Entrada gratuita
Cena do filme Imitação da Vida em cartaz na segunda-feira, dia 18,na Rádio Cultura de Amparo Foto: Divulgação

A atração da noite de segunda-feira (18) do projeto Luz & Sombras, em Amparo, é uma joia rara do cinema. O filme “Imitação da Vida” é exibido em sua versão original em preto e branco a partir das 19h30 no auditório da Rádio Cultura FM. A sede da emissora fica na Praça Pádua Salles, no Centro da estância hidromineral do Circuito das Águas Paulista. A entrada é gratuita.

O longa-metragem da Universal Pictures de 26 de novembro de 1934, baseado no livro “Imitação da Vida”, de Fannie Hurst, conta em seu elenco com Claudette Colbert, Warren William, Rochelle Hudson, Ned Sparks, Louise Beavers, Fredi Washington e Alan Hale. A direção é de John Malcolm Stahl, natural de Baku (Azerbaijão), mas que entrou para a história do cinema em Hollywood.

Sinopse e crítica de Nelson Machado Filho
Beatrice Pullman, branca e viúva, contrata a negra Delilah Johnson para trabalhar como empregada doméstica em sua casa. Depois montam um negócio juntas e, graças à receita de panquecas de Delilah, ficam ricas em dez anos.

Entretanto, Beatrice tem problemas com a filha Jessie, quando começam a disputar o coração do mesmo homem — Steve Archer. Já os percalços de Delilah são outros: se não bastasse a discriminação de que é vítima, ainda tem de se entender com a filha Peola, que não tolera sua cor e procura passar por branca.

Imitação da Vida”, dirigido por John M. Stahl, é a primeira e melhor adaptação para a tela do célebre romance de Fannie Hurst, ainda que subestimado e raramente revivido.

É um estudo de caráter bem escrito e desenvolvido sobre duas mães, uma branca e outra negra, que mantêm uma amizade duradoura ao longo dos anos, enquanto suas filhas, ambas amigas, tentam enfrentar os obstáculos da vida.

Este foi provavelmente um dos primeiros filmes que equipararam a questão racial nos Estados Unidos. A maioria dos longas da época mostrava negros como empregados domésticos e os retratava como “felizes” nesses papéis.

Este é um clássico, pois é uma das primeiras vezes que se abordou a questão das relações entre raças. Em muitos filmes os negros eram apenas coadjuvantes de segunda linha e não podiam encarar papéis mais “sérios”.

A atriz Louise Beavers fez uma esplêndida atuação no papel da mãe negra, uma mulher que tem amor muito especial pela filha que não a aceita por causa da cor da pele. Infelizmente, o Oscar para melhor atriz coadjuvante ainda não havia sido criado em 1934. Caso contrário, Beavers o teria recebido ou ao menos teria sido indicada ao prêmio.

A icônica Claudette Colbert fez uma excelente performance como a viúva Beatrice Pullman e, juntamente com Louise Beavers, Fredi Washington e Rochelle Hudson, expuseram as dificuldades que as mulheres encontravam para ingressar no mercado de trabalho em uma época em que a sociedade atribuía à mulher o dever de se dedicar exclusivamente à família.

Além da luta de uma família que perdeu o patriarca, o público também experimenta através do filme as relações raciais multifacetadas que consumiram pessoas negras na década de 1930.

O filme mostra as construções sociais e nos envolve totalmente na história. Lutando para manter os negócios da casa e do marido, Bea é abençoada com um anjo na forma da governanta Delilah Johnson (Louise Beavers).

Também estão no elenco Ned Sparks, como Elmer Smith, Alan Hale (Marilyn Knowlden), Franklin Pangborn, este com breve aparição como um dos convidados da festa de Bea, e Marcia Mae Jones, reconhecível como uma das alunas da escola na parte inicial da história.

Warren William, emprestado pela Warner Brothers, interpretando Steve Archer, ofereceu seu desempenho de alto padrão de sofisticação no estilo britânico.

Warren William interpretou Steve Archer, o homem que se apaixona por Bea Pulman sem suspeitar do efeito que causa na jovem Jessie, filha de Bea, que também é apaixonada por ele.

O diretor, John Stahl, era de fato um homem de talentos mistos. Ele realizou vários filmes de primeira linha. A versão de “Imitação da Vida” é notavelmente clara, forte e sutil e mesmo com a passagem do tempo é uma história que em sua essência é bastante inovadora.

Com uma bela fotografia em preto e branco, este filme tem ótimas interpretações, imagens poderosas e o resultado são sequências de grande beleza visual e de alto impacto emocional.

Serviço

Evento – Projeto Luz e Sombras
Local – Auditório da Rádio Cultura FM
Endereço – Praça Pádua Salles, 160, Centro, Amparo-SP
Dia – 18 de novembro, segunda-feira
Horário – 19h30
Entrada – Gratuita
Filme – “Imitação da Vida
Elenco – Claudette Colbert, Warren William, Rochelle Hudson, Ned Sparks, Louise Beavers, Fredi Washington e Alan Hale
Ano da produção – 1934 (Universal Pictures -original em preto e branco )
Gênero – Drama
Direção – John M. Stahl
Roteiro – William Hurlbu – obra baseada no livro “Imitação da Vida”, de Fannie Hurst
Música – Heinz Roemheld
Fotografia – Merritt B. Gerstad
Arte – Charles D. Hall
Figurino – Eugene Joseff

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *